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terça-feira, 16 de junho de 2015

Biscoito do Amor

De um tempo pra cá, o papai Andries tem se empenhado em fazer a lancheira do Andries filho. Confesso que ficava feliz porque era uma preocupação a menos pra mim no sufoco das manhãs.
Um belo dia, o Andries filho havia esquecido da roupa de ed.física e eu fui abrir a mochila para colocar e me deparei com um pacote de biscoitos de chocolate. Levei um susto e tirei e o pai viu, pegou de mim e colocou de novo. Eu disse _ poxa, amor, não pode você sabe disso... ele me olhou e rio. 
No caminho da escola, perguntei para o Andries se o que ele levava para comer era suficiente para ficar ate às 14:00 horas, ele disse que sim. Então meu filho, você pode me dizer então por que você está levando hoje um pacote inteiro de biscoito?
Ele ficou mudo.. 
E resolveu falar..
_Mãe, é que eu estou namorando!
Nessa hora quem ficou muda fui eu... pensei rápido, e uma voz soprava no meu ouvido "seja profissional Tatiane" hahahha e resolvi perguntar..
_Mas o que é namorar, então?
Ele imediatamente respondeu : _ Ahhh Mãe, namorar é dividir os biscoitos que eu levo todo dia com a Zoe.
Eu:_ todo dia????? desde quando??
Ele:_ hummmm desde o dia que a Zoe me pediu em namoro.
Eu:_ E quando foi que a Zoe lhe pediu em namoro?
Ele:_ hummm faz um tempinho, hummm desde a ultima semana.
Eu:_ E como vocês fazem para comer o biscoito sem que a professora veja?
Ele:_ na hora que a gente vai brincar eu levo minha mochila, sentamos juntos perto do balanço e comemos juntos...
Nessa hora o coração derreteu.. olha o que significar namorar pra eles...
dividir biscoito escondido!
Sabe-se Deus o que eles conversam.. mas tenho certeza que o prazer em comer o biscoito escondido juntos, é bem maior que o medo da bronca da professora se descoberto.. Isso é, duvido que ela já saiba e finge não saber, só para ter o que escrever no relatório final dele. As professoras sempre escrevem alguma coisa engraçada ou que tenha marcado o ano da criança no último relatório escolar, que recebemos na penúltima semana de junho.
compartilhando essa história, a Julianna do blog e facebook "Família em Tiras" nos presenteou com essa tira no dia dos namorados.




créditos: Julianna Rodrigues/ Família em Tiras


sábado, 18 de outubro de 2014

Outubro Rosa e meu primeiro grande choque na Holanda

Era um dia de primavera na Holanda, o sol brilhava lá fora e por isso eu aproveitara para passear com o bebê Johann que deveria ter entre 6 e 8 meses. Enquanto estavámos indo e vindo andando na calçada do quarteirão de casa, a nossa vizinha da sexta casa depois da nossa, abre a porta e andando muito debilitada,  devido a metástase de um câncer que iniciou nos seios, que segundo ela , há algum tempo atrás, veio em nossa direção, pediu para ver o bebê, brincou com ele e falou pra mim. - você parece ser uma pessoa muito gentil, eu gostaria de ter mais tempo para a gente tomar um café juntas e podermos conversar mais... tenho tanta curiosidade de saber como é o Brasil de falar sobre as crianças.. bom, o meu filho já está bem crescido, mas nunca deixará de ser criança.

Na ocasião eu respondi, que teríamos sim tempo para tomarmos café, e para ficarmos horas e horas falando das crianças, e aproveitei para dizer que lamentava muito por ela está doente e que nossa casa estaria de portas abertas a qualquer hora do dia ou da noite para qualquer coisa que ela precisasse. Ela pegou minha mão e agradeceu, disse para eu ser muito feliz e que cuidasse muito bem do meu marido e dos meus filhos porque no final é tudo que nós resta da vida. Depois se despediu dizendo que iria ajudar a preparar o jantar para a família e entrou, e eu continuei andando até que soprou uma brisa fria e também decidi voltar pra casa.

Quando foi por volta de sete e meia da noite, uma ambulância seguida do carro da polícia passaram em frente de casa, apenas com as lâmpadas sinalizando, sem barulho algum, sirenes desligadas e pararam na porta da casa dela, o meu marido viu e imediatamente fechou a persiana da janela que dá para rua me olhou e disse; - isso não é nada bom! 

No dia seguinte, ao sair novamente para passear com o Johann, a vizinha do outro lado da rua, passeava como os cahorros e me abordou falando sobre o dia, o sol.. me alertou para vestir um casaco mais grosso no bebê pois embora fizesse um dia lindo a qualquer hora poderia ter um vento frio e na sequência perguntou se iria tomar café na casa da nossa vizinha que havia falecido na noite anterior. Mas falando tão naturalmente, como se fosse uma visita de boas vindas, ou sei lá..visita ocasional...  Como assim? perguntei assustada.

Foi então que ela me contou que a nossa vizinha havia retirado os dois seios, a doença havia se alastrado tão rapidamente, mesmo fazendo o tratamento em casa ela estava sofrendo muito, com muita dor e por isso decidiu aliviar esse sofrimento, não por ela, mas por amor ao  marido e ao filho que não conseguiam vê-la sofrer tanto. E ontem fora a data escolhida para ir embora, optando assim pela eutanásia. (A Holanda foi um dos primeiros países a legalizar a eutanásia em  doentes em estágio terminal, que era o caso da nossa vizinha).
Naquele finalzinho de dia ela havia ajudado o marido com o jantar, jantou com a família, depois recebeu os parentes mais próximos para o último café, foi quando pontualmente as sete e meia da noite chegaram os médicos acompanhados por um agente da polícia, subiram com ela para o quarto enquanto a família permanecia em reunião na sala, depois do procedimento desceram, deram condolências à família e foram embora.
Em estado de choque  eu ouvia tudo atenciosamente... uma lágrima desceu dos olhos dando- me conta que nossa conversa  do dia anterior, que parecia casual na verdade era uma despedida... só Deus sabe o quanto eu lamentei pelo café que não tomamos, pelas conversas que não tivemos e por tudo que poderíamos vivenciar como vizinhas...

Confesso que esse foi meu primeiro grande choque cultural, compreendo isso como cultural, embora muita gente considere o assunto diretamente relacionado à religião. Mas quem mora aqui vai concordar em parte comigo que não tem nada haver em acreditar ou não em Deus e sim com outras coisas que é meio difícil de explicar por isso eu prefiro classificar como cultural para não entrar em conflito até comigo mesma, católica, devota de Nossa Senhora de Nazaré e crente em Deus. Mas Como diz meu marido, na Holanda se pensa com a razão e não com a emoção... e religião, segundo ele, é puramente emoção!

Mas até hoje quando lembro dessa vizinha, imediatamente oro por ela.. peço a Deus e Nossa Senhora que lhe tenha dado a paz e que sempre conforte aos que ficaram e sempre me vem a imagem dela tirando a neve da frente da casa, sorrindo e acenando pra mim!

Porém, essa história me serviu de alerta para a prevenção do Câncer de mama aqui, para a  importância do diagnóstico precoce, pois pasmem, embora morando em um país que trabalha com a medicina preventiva, os diagnósticos de câncer de mama ainda são tardios e preocupantes na Holanda. 
Sendo assim, quantos cafés, quantas conversas deixarão de ser vivenciados por causa desse triste diagnóstico. Portanto, Previna-se!

Dedico este post à memória da doce vizinha Marel.
E todos envolvidos na campanha  outubro rosa!







terça-feira, 28 de maio de 2013

A vida com irmãos é mais divertida!

Acredito que quando Deus criou a família ele se divertiu muito quando escolheu a função dos irmãos... só quem tem irmãos sabe o que brigar, morrer de ódio, mas ai de quem mexa com eles....rsrsrr. É impossível contar um " causo" divertido ou absurdo sem eles, é impossível saber o que é amar e odiar ao mesmo tempo a figura deles... Eu tenho 4 irmãos mais velhos e duas "agregadas" mais novas. E MUITAS Histórias para contar... Vou começar falando do meu irmão o terceiro antes de mim e 11 anos mais velho, ele se chama Charles "José", por isso o nome do meu filho mais velho Andries "José". 

O Charles foi para mim na infância, um irmão cuidadoso, mas muito gaiato, me fazia passar por cada situação, mas o que eu mais gosto de lembrar, era quando ele me buscava na escola e sempre perguntava, deixou merenda pra mim???? Era um acordo só entre nós, eu tomava metade do meu suco e comia a metade do pão só para deixar para ele... E quando eu levava bananada, ele brigava comigo porque a banana depois de um tempo escurece e ele não tomava nem a pau ahhahahhahah 

Por ser mais velho que eu, ele sempre se metia a querer me ajudar com o dever de casa da escola, lembro uma vez que eu tinha que escrever um texto contando sobre o nosso dia-a-dia, então achei legal contar que a minha comida preferida era Açaí com Charque (carne seca) frito, ai eu virei para ele e disse, vou dizer que a gente adora comer açaí com "Jabá", mas Charles como a gente escreve "Jabá com G ou com J" ?? ele respondeu, eras mas tú és burra mesmo né??? escreve Açai com "Charque" é a mesma coisa.... ai eu perguntei de novo, mas "Charque é com X ou com CH" . E ele, eras, tanta burrice eu nunca vi... precisa dizer o que a gente come???? esquece isso!!! hahhahhahah 

Mas o melhor é quando eu me pego presa nas lembranças da infância, com saudade da família que ficou no Brasil, o coração apertado de tanta nostalgia, lá vem uma história dele... Ontem não aguentei e compartilhei no meu facebook  um causo de autoria dessa pessoa chamada Charles.  Lembro que ele contou mais ou menos assim... "_A vovó falava cada coisa, uma vez eu devia ter uns quase 10 anos, quando eu disse vó, eu estou com um problema na escola. E a vovó respondeu: _ Problema grande é piolho em cabeça de aleijado, porque não tem mãos para coçar. Passou um tempo, a vovó foi receber a aposentadoria dela em um banco na Av. Presidente Vargas em Belém e me levou,  lá tinha um senhor que não tinha os braços nem as pernas e ficava no meio da rua pedindo esmola. A Vovó nem lembrava mais do que ela havia me dito, mas eu nunca havia esquecido e fiquei pensando como ele faz para coçar a cabeça?? que quando eu vi esse senhor eu pedi um dinheiro para vovó para levar para ele, quando cheguei perto eu disse: _ Senhor, seu problema é piolho na cabeça né??? como o senhor faz para coçar??? O Homem muito P da Vida, respondeu: _ seu muleque safado, eu chamo a tua mãe para coçar para mim, e corre se não eu vou te pegar! eu corri tanto que eu tinha pesadelo com ele correndo atrás de mim. "   Nem precisa contar que a essas alturas eu já estava com dor na barriga de tanto ri dele contando e encenando a situação. A minha mãe jura que isso foi mentira, mas ele jura que foi verdade! Entre o sim e o não, eu prefiro acreditar na minha imaginação. 
Quanta saudade desse tempo! Quanta saudade desse irmão que cresceu mas não perdeu a imaginação... e quanta imaginação.... e hoje é meu cumpadre também, junto com a irmã "agregada" Wanessa, são os padrinhos do Johann que por sinal herdou a palhaçada e o jeito moleque dos dois.... amo vocês!

Wanessa e Charles com o Johann no dia do batizado na Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém-Pa.